The sole purpose of human existence is to kindle a light in the darkness of mere being - Carl Jung

A mente criativa milionária (PORTUGUESE)

Géraldine Correia

Novas técnicas permitem ajudar a transformar o mundo empresarial numa plataforma de acção psicológica de mudança poderosa para os empregados. Veja como.

As empresas precisam de uma visão para alcançar resultados. Tal como as pessoas, estão presas naquilo que deveriam ter conseguido (o passado) e não nos resultados que desejam existir. E, por vezes, o sucesso não é possível sem uma transformação, uma mudança do comportamento dos empregados. Cientistas da neurologia estão a desvendar os mecanismos que permitem tirar o melhor partido dos mapas mentais – e modificá-los. O curso dos Resultados ensina a tirar partido de novas ligações interdisciplinares para rentabilizar sinapses, também elas novas, na mente humana.

As abordagens da mudança de pensamentos têm passado por várias fases. Pode-se ajudar as empresas a descobrir porque sãoi disfuncionais, mas é um processo eterno – tal como o das pessoas que fazem uma psicanálise. O truque, pelo contrario, é ser criativo, a essênca do curso Resultados criado por Wilbert Alix e Frank Natale. “Criar é escolher fazer uma distinção e provocar conscientemente aquilo que já existe no momento presente”, explica Alix, director geral do Natale Institute International.

Existe uma grande diferença entre estar orientado por “objectivos” ou por “resultados”. Os resultados são imagens reais, e a forma como se manifestam depende menos de projecções sobre o processo necessário – dependente da realidade, logo limitado nas suas possibilidades – e mais da remoção de obstáculos ocultos que podem sabotar a fixação de objectivos.

O pessoal de uma empresa cria tipicamente objectivos, mas deveria, pelo contrário, desenvolver uma visão. Por exemplo, uma empresa que precisa que os seus departamentos sejam mais proactivos. O pensamento visionário consiste em projectar uma imagem (resultado) no futuro, imaginando-a como se já tivesse acontecido - o que faz uma equipa proactiva? Onde está, como se sente quando se imagina proactiva? Por outras palavras, a ciência demonstra que o futuro é uma ilusão, apenas a projecção de uma mente limitada. Mais do que ver o futuro, os empregados devem visualizar a situação desejada como se já tivesse acontecido. Focar-se em resultados leva os trabalhadores para além de um objectivo. Sugere que existem soluções escondidas, mesmo dos melhores profissionais da fixação de objectivos, e que devemos deixá-las emergir.

Este tipo de raciocínio está a tornar-se cada vez mais claro com os avanços da ciência. O cruzamento de estudos neurológicos e da física quântica explica-nos que existe um efeito do observador na actividade de micro-partículas como os átomos. Sendo que o cérebro é um ambiente quântico, com partículas movimentadas por energia e possibilidades infinitas de ligações novas ou sinapses, sabemos que o comportamento e posição de entidades mudam quando observadas. O acto mental de focar a atenção estabiliza os circuitos cerebrais associados. Concentrar a atenção numa experiência mental, seja ela um pensamento, revelação, imagem na mente ou medo, mantém a actividade do cérebro num estado de consciência elevado associado a essa experiência. Ao longo do tempo, prestar uma atenção suficiente a qualquer ligação específica do cérebro mantém o circuito relevante aberto e dinamicamente vivo. Estes circuitos podem, ao fim de um tempo, tornar-se não só ligações químicas como mudanças físicas, estáveis na estrutura do cérebro.

Focar-se em resultados é uma forma de manter uma atenção constante que reformula continuamente os padrões do cérebro. É uma forma de obter um ponto de vista completamente diferente e “descobrir” soluções ocultas, admitindo que somos também influenciados e criamos a nossa realidade em função de pensamentos profundos e por vezes inconscientes.

Num curso de 18 horas, Wilbert Alix explora a mecânica da criatividade, sucesso e auto-motivação num processo progressivo. Portugal é o seu próximo “resultado”desejado, que deverá realizar em parceria com a Injoy, especialista em meditações activas (www.injoy.pt). “ O acesso ao sucesso de todos os indivíduos tem sido baseado em princípios semelhantes. Historicamente, as empresas focaram-se apenas em técnicas que promovem um tipo de sucesso e pensamento mais lineares, quando noutras áreas da vida é necessário adoptar uma abordagem menos linear ou holística. Associar estas duas técnicas permite recorrer aos dois lados da mente humana, tornando possível atingir resultados em todas as áreas da vida, mesmo em situações anteriormente consideradas impossíveis”, salienta.

A criação de um pensamento causal cria uma experiência imediata de movimento. Esse movimento dissipa-se, por vezes, porque as pessoas não têm clareza sobre os resultados desejados. É um dos erros mais frequentes – as pessoas começam por criar os seus resultados com grande entusiasmo e depois distraem-se e perdem a energia inicial. Ora, a repetição do pensamento, consciência sensorial e emoções como o entusiasmo e excitação são o poder que faz as mensagens moverem-se da mente consciente para o inconsciente, ou da nossa zona de memoria viva, a que filtra e recebe as novidades, para a zona de memória profunda, onde é possível agir com o piloto automático (como com a condução de um carro, por exemplo).

Mas a verdade é que nada acontece se não houver uma acção. Não vale a pena perder muito tempo a pensar em que carreira seguir, ou esperar maior clareza antes de agir. Isso torna-se, a prazo, numa estratégia para evitar a mudança. No momento presente, nunca estamos completamente preparados nem vamos estar mais preparados. Quando se age, de forma errada ou não, pelo menos há uma oportunidade para corrigir ou mudar essa acção. Sem acção não há nada a corrigir, a mudar, por isso, não existe nenhuma oportunidade para criar. Quem espera acaba por tornar-se um espectador da sua própria vida. Nas empresas, pode ser uma questão de sobrevivência ou morte.

No seguimento da lógica quântica, criar um pensamento consciente contínuo cria uma acção, que cria novos níveis de clareza e crenças. Permite também atravessar sistemas de crenças, o que nos move para os resultados desejados. O sistema de crenças não é mais do que uma parede que separa a nossa realidade de outros realidades que desconhecemos, logo separa os nossos resultados e outros resultados de que não estamos conscientes.

Quando existe um compasso de espera, é porque os resultados são criados em função da realidade existente ou sistema de crenças (“nunca vou ser promovido”, “não há outros lugares disponíveis”, etc.). A espera é vista como fracasso, o que comunica ao inconsciente que somos incapazes de criar o que queremos na nossa vida. O truque é responder, porque se mudou de direcção, e o compasso de espera significa que a acção apropriada ainda não teve tempo de emergir. Quando se reage, a ideia é de que não se consegue o que se quer e então desiste-se ou regista-se um fracasso.

Esta técnica não é apenas algo derivado do “pensamento positivo”. Pelo contrário, deve-se sublinhar o que existe no momento presente. Para criar um resultado, é preciso saber o que se tem – as vendas alcançadas, por exemplo. Para escolher uma direcção deve-se saber onde se está – terceiro lugar no mercado.

Ainda assim, não é invulgar os pensamentos reprimidos dos recursos humanos sabotarem uma visão – o medo do despedimento, da compra da empresa, etc.  E não se podem focar pensamentos em resultados a criar se não se souber o que se está verdadeiramente a pensar. “Reprimir pensamentos negativos apenas lhes confere poder, uma mensagem poderosa para o inconsciente. Para estar consciente de pensamentos negativos devemos confrontá-los com a realidade enunciando exemplos contraditórios no presente, que criam o novo resultado escolhido”, explica Alix.

Estar no momento presente elimina sempre influências negativas do passado. Para criar resultados, deve-se abandonar o passado, para evitar reagir, quando o correcto é responder. Um pensamento negativo reprimido cria resultados motivados por influências passadas.

Na realização de resultados entra em consideração aquilo que a ciência tem chamado de inconsciente colectivo, sistema ou simplesmente colectivo. “Há muita energia no facto de muitos empregados desejarem a mesma coisa. Os seus mapas mentais mudam”, refere Alix. No inconsciente colectivo, existe um tipo de transferência de informação ou sincronicidade actualmente incompreensível mas que permite que a informação seja transferida de uma pessoa para outra sem a utilização da linguagem ou outra forma de contacto aparente. Para que isso funcione, é importante alinhar os estados de espírito, por forma a transcender os seus próprios limites.

Este tipo de alinhamento, não é segredo, consegue-se através da meditação, yoga e outras práticas zen ou mais activas hoje em voga. “O importante é saber que, no presente, estamos disponíveis para o inconsciente colectivo, e no passado reagimos ao pensamento inconsciente. Perdoar os outros pelas suas acções ignorantes face a nós e perdoar-nos a nós por acções ignorantes face a eles intensifica a clareza necessária para criar um resultado escolhido no tempo presente”, diz o guru do Natale Institute.

Alguns exercícios simples, para além do alinhamento e visualização de resultados, estão no simples reconhecimento de resultados constantemente (queria ir para o escritório e cheguei lá, queria acabar um dia de trabalho e fi-lo, queria estar relaxado depois do trabalho e consegui). Esta mensagem para o inconsciente ganha poder quando enunciada em público: “Acabámos a reunião, chegámos ao fim do mês, acabámos a produção do dia, etc.” Parece um princípio simples, mas é precisamente o que o cérebro regista, dando apoio à criação de grandes resultados facilmente. O inconsciente não avalia resultados – não sabe se estão a celebrar o fim da reunião ou da fome no mundo. Tanto os resultados menores como maiores criam da mesma forma o pensamento consciente contínuo. E reconhecer todos os resultados torna a criação de grandes resultados inevitável.

“O reconhecimento de cada resultado ou acto de completar em si movimenta-nos sempre para um novo nível de causalidade no ciclo de resultados. O reconhecimento torna o progresso inevitável”, defende o guru.

 
CAIXA


O que pode fazer imediatamente para obter resultado
 
Faça uma lista de três resultados
Escreva-os na primeira pessoa e no presente: “Eu tenho lucros” em vez de “Eu quero ter lucros”.
Crie uma imagem desse resultado na sua vida, como se o tivesse. Inclua-se na imagem. Por exemplo, veja-se no carro que deseja, a conduzir.
Uma pessoa visualizava dinheiro, dinheiro, mas não o via consigo. Resultado: arranjou um emprego como caixa, com muito dinheiro, de facto, a passar-lhe pelas mãos.
Imagine os resultados de manhã.
Imagine-os à noite.

Entrevista


Wilbert Alix


Fixar objectivos é bom, conseguir resultados é melhor
 
Da medicina à gestão de conflitos e criação de resultados, Alix aperfeiçoou técnicas para melhorar a auto-estima, comunicar eficazmente e transformar  o stress numa energia positiva

Dia D: Como entrou no mundo das empresas e construiu a base de conhecimentos que levou ao Curso dos Resultados?


Wilbert Alix: Nasci em New Orleans, numa cultura com tradições muito ricas na múscia e dança como forma de transcender o ego. Trabalhei em medicina mais tarde, em pesquisa cardiovascular e procurement e transplante de órgãos – com viagens urgentes de helicóptero para falar com famílias de pessoas falecidas ou em morte cerebral e conseguir órgãos. Depois, de 1990 a 1993 fui presidente do Capital Área Mental Health Center, com actividade em programas de psicoterapia. Dediquei-me muito à gestão de conflitos, juntando grupos antagónicos na utilização de terapias de transformação para descobrir técnicas de resolução de problemas criativas. As situações levam muitas vezes a pensar que existe apenas a solução A e B, mas a verdade é que há a C e D que não têm nada a ver com o resto. E só não existem devido ao nosso sistema de crenças profundas e à nossa forma linear de pensar.

Dia D:  Pode explicar a base do sucesso do seus sistema?

W. A.:
A realidade é um holograma criado pelo pensamento, ou tornado possível pelo pensamento, e não um encadeamento linear de pressupostos. Por exemplo, se alguém quer muito um carro novo, e está convencido que é preciso muito trabalho para consegui-lo, é exactamente esse o resultado que vai obter. Vai juntar dinheiro, cheio de força e motivação, e conseguir o seu carro. Se estiver apenas concentrado no carro, e se imaginar a conduzi-lo – sem pensar no processo de obtê-lo -, o que vai acontecer é que se calhar o patrão lhe vai dar um carro novo, ou vai ganhá-lo num concurso, algo assim. A realidade só é limitada pelas crenças e limites que lhe impomos.

Dia D: As pessoas que fazem parte da formação, numa empresa, registam este tipo de resultado?

W. A.: Temos tido relatos de coisas que pareciam impossíveis e que acontecem. Lembro-me por exemplo de um acordo conseguido numa cidade do Texas entre os serviços camarários e os ecologistas locais sobre a utilização dos recursos de água. Noutro caso, evitou-se um despedimento porque surgiu uma imposição da bolsa sobre outsourcing que convenceu o presidente – alheio às preocupações da força de trabalho – a manter o pessoal. A lição é que se houver indivíduos suficientes que concordam num resultado definido – mais lucros, facturação em alta, etc. – este acontece.

85% da nossa vida é criada pela nossa mente de forma inconsciente, com o piloto automático ligado. Apenas 15% é pensamento consciente. Veja por exemplo o seu trajecto para o trabalho: quem está a conduzir? O piloto automático, uma memoria inata que sabe conduzir. E esse é apenas um exemplo.

Dia D:  Então é importante delinear o maior número possível de alternativas para um problema?

W. A.:
Não as conhece. Ao pensar em processos de solução está a limitar aquilo que chamamos de inconsciente colectivo. A orientação para os objectivos é limitada, a orientação para resultados é aberta. O curso ajuda as pessoas a perceber como pensar nos problemas, mas não lhes diz o que devem pensar. Ajuda a ver a possibilidade de resultados que ainda não se manifestaram, pontos de vista originais.

Toda esta questão está relacionada com riscos. Edison errou 560 vezes antes de chegar à lâmpada como a conhecemos. Se não tivesse errado, estaríamos ainda às escuras. Por isso, é importante criar uma cultura de criatividade que aceita o risco e o erro. Muitas empresas de tecnologia aplicam essa filosofia.

Um dos primeiros passos é reconhecer aquilo que existe.

Dia D:
Este conceito surge de formas diferentes em livros como Tipping Point e Blink, de Malcolm Gladwell, ou Wisdom of Crowds de James Surowiecki, que falam do poder do contexto, da independência das opiniões e de elementos que nos influenciam. No seu caso, fala de uma visão dos resultados mais concreta?

W. A.: É muito importante ter a consciência dos nossos pensamentos negativos. Muitas técnicas e formações de motivação e auto-ajuda baseiam-se em técnicas para que as pessoas se evitem a si próprias. Aquilo a que resistimos persiste: ou seja, damos energia ao que tentamos ignorar. E isso é uma mensagem poderosa para o inconsciente, que a transforma numa opinião inconsciente ou num ponto de vista. Devem contrapor-se exemplos positivos contraditórios desses pensamentos negativos no tempo presente.

Quando nos movimentamos apenas em função do que existe – as vendas estão a abrandar no sector inteiro, a conjuntura não ajuda, etc -, o movimento para a criação dos resultados é mais lento. O compasso de espera é visto como um fracasso, e envia-se uma mensagem inconsciente de que não se está a conseguir o resultado.

Quando há uma visão da empresa como um negócio lucrativo, em expansão, etc., fora da realidade e de um sistema de crenças, cria-se um pensamento e movimento colectivo. O objectivo não é reagir aos acontecimentos, mas responder, como num veleiro, em que queremos chegar à costa mas nunca lá chegamos em linha recta. Vamos corrigindo a rota até lá chegar. A escolha é uma alternativa que vai para além de uma decisão – esta baseia-se quase sempre no passado.

Perfil:

Wilbert Alix, 56 anos, é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho em psicologia progressiva e estudos neo-xamânicos, com técnicas corporais de incorporação dos cursos. É director desde 1981 da Natale Institute International, rede internacional de formação com intervenções em empresas. O objectivo é fornecer ferramentas para transformar pensamentos em realidade, numa síntese de várias correntes da ciência, psicologia e misticismo.